- Espero que tenha gostado. - disse o estranho.
- Gostei, na verdade, você tocou uma das minhas
canções preferidas. - afirmei. Queria manter uma conversa estável com ele, não
sei por quê.
- Qual?
- Run. Eu achava que tão poucos conheciam essa canção,
aliás, você não parece muito com quem toca esse
tipo de música.
- É uma música da qual simplesmente gosto, a
melancolia que ela passa para quem a ouve me atrai, e eu fiquei contente em
aprender a tocá-la, apesar do meu inglês não ser o melhor possível e minha voz
nada comparável com a original.
Sorri
abobalhadamente para ele, e de repente estávamos em uma empolgante conversa sobre tudo: música, cinema, televisão, noticiários, astronomia,
literatura, sonhos para o futuro. Descobri que tínhamos muito em comum, e que
eu o tinha julgado verdadeiramente mal. Nos levantamos e fomos nos sentar em
alguns banquinhos, estes meio afastados do resto das pessoas. Conversávamos tão
intimamente, tão gostosamente, que mal vi o tempo passar. Ele tocou a minha mão
com delicadeza, e eu vi pelo seu sorriso e pelos seus gestos, que ele tinha
algum interesse em mim. Começamos então um jogo de flerte, ele do seu lado, eu
do meu, tentando ser uma charmosa oponente. Eis que nos aproximamos demais, eu
podendo sentir sua respiração em meu rosto. Nos beijamos. Nos beijamos como se
tudo dependesse daquele beijo, nossas línguas brigando, eu perdendo o fôlego,
ele também. Paramos o beijo, olhamos um paro o outro e desatamos a rir. Ele me
puxou e me deu um abraçou, minha cabeça ficando apoiada em seu peito e ele
passando a mão carinhosamente pelo meu cabelo.
- Sabe, eu a notei desde o momento em que você chegou. - disse ele, meio melancólico.
- Sabe, eu a notei desde o momento em que você chegou. - disse ele, meio melancólico.
- Eu também o notei, de certa forma.
- Devo ser sincero, não sou desta cidade, estou aqui a
passeio e vou embora amanhã. Gostaria de ficar e conhece-la melhor, mas isso
não me é possível. Desculpe. - nesse momento percebi o motivo de sua melancolia.
- Oh, eu nem sei o que lhe dizer...
- Diga adeus e me dê mais um beijo. Já se foi o Sol e
a Lua há muito clareou o céu, eu tenho que ir embora.
- Antes de lhe dizer adeus, quero perguntar algo que
me esqueci completamente, algo que nossas conversas não permitiram. Diga-me,
qual o seu nome?
- Meu nome é Danilo.
E antes que ele
pudesse perguntar o meu, o beijei calorosamente. De alguma forma estranha, eu
não queria dizer como me chamava, achando que isso fosse manter uma espécie de
magia sobre tudo o que nos tinha acontecido naquele dia. Pouco depois nos
despedimos e ele se foi. Eu soube naquele momento que provavelmente não o
voltaria a encontrar, mas não me importei. É bem verdade que ele era um rapaz
muito interessante e charmoso, e que seria muito bom poder conhecê-lo melhor,
encontrá-lo mais vezes. Mas isso não me era possível, e eu nada podia fazer
para mudar isso. Ao menos tinha realizado um de meus sonho: ao contrário das
outras garotas, que sonhavam com uma “amor de verão”, eu sempre desejei um
“affair de inverno”. E agora tinha conseguido, nesta breve passagem de Danilo
(é satisfatório poder escrever ou dizer esse nome para mim) pelo meu acalentado
coração. Quando eu lhe disse adeus, disse sem remorso. Adeus, apenas isso e
nada. Foi um dia e um adeus para mim.
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