sexta-feira, 14 de outubro de 2011

As minhas estações

    No verão, deixei a areia da praia escorrer pelos dedos, enquanto teus olhos brilhavam ao sol. Tuas mãos enlaçavam minha cintura desnuda, enquanto o gosto salgado do mar inundava nossos beijos. Desejávamos tão pouco... Almejávamos apenas estar vivos e juntos até o fim do dia, nos amar profundamente, conhecer o próximo mais do que a si mesmo.

    Então chegou o outono, e enquanto as folhas caiam e o tempo esfriava, o nosso amor aquecia. Nossos planos começaram a transcender os dias, os meses, os anos. Teus abraços e tuas carícias me faziam sorrir cada vez mais, e a pele, agora coberta por leves camadas de tecido, rapidamente se despia para que eu pudesse te mostrar todo o meu amor.

    Junto com o inverno, nosso amor começou a esfriar, tuas palavras, antes quentes e cheias de sentimentos, agora eram frias. As brigas eram constantes, e eu já temia a hora de dizeres adeus. Acho que no fundo, ambos temíamos essa hora, e por isso fomos nos afastando um do outro ainda mais. No fim da estação, disseste adeus, não apenas por ti, mas por nós dois.

    Ao contrário das flores que desabrochavam e com o tempo que ficava ameno devido á chegada da primavera, meu coração secava e minha alma gelava. Meus passeios, antes gloriosos e cheios de paixão, se tornaram frios e vazios, e eu, relutante, insistia em não deixar as lágrimas cair. Eis que conheci alguém, caloroso e disposto a me consolar. Ia começar um novo verão...

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