- Só pra você não dizer que eu fui ou sou rude, só pra você não dizer que eu esqueci tudo. Eu me importei enquanto podia, mas segui em frente, como você fez. Só por que não fico remoendo o passado não quer dizer que não me importo, e você devia saber, afinal foi você quem escolheu isso.
Tomou mais um gole da cachaça de má qualidade que o bar tinha a oferecer.
- Eu não pedi isso, eu só queria te ver.
- Mentira, você só queria me dizer o quanto eu sou horrível por estar sozinha, mas a culpa é sua e nada mais.
Virou o copo, o copo das mágoas.
- Eu vou embora, você não está bem.
- Não, não estou, mas estou melhor assim do que com você, querido. Acredite ou não eu ainda guardo todas elas.
- Todas o quê?
- Todas as mágoas que você me deu de presente.
Ele se levantou e foi o embora. O copo esvaziou, e ficou ali, vazio. Ela pagou a conta e pegou um táxi. Ela não se arrependeu mais tarde. Ele sim. Quem era quem, quem era o quê? O copo sabia, mas o copo estava vazio, e ninguém podia encher. Dúvidas sem respostas, copos vazios, conversas perdidas.
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