sábado, 30 de julho de 2011

Escolherá.

Não adianta nada chorar, entenda isso. Seu choro não vai mudar nada do que aconteceu, e nem vai alterar o que tem que acontecer. O destino não se convence com as suas lágrimas, ele segue seu curso, independente do que você sente ou vá sentir. Os planos do destino são muito maiores do que qualquer dor que você possa sentir, maiores do que qualquer lágrima que você possa derramar, maiores do que qualquer amor que você possa perder. Você não escolhe o seu destino, e, por mais que queira, dificilmente vai conseguir lutar contra ele. Não que seja impossível mudá-lo, talvez não seja nem difícil, mas no fundo, mesmo sofrendo, o destino que temos, é o que realmente queremos. Você pode não se sentir preparado agora, e tem razão, mas um dia você vai estar preparado e vai fazer tudo que é preciso para cumprir seu destino. E tudo isso, no fim, são apenas escolhas. Escolhas inevitáveis, que chamamos tolamente de destino. São inevitáveis, e não vão mudar, independente do que aconteça. O destino são nada mais do que nossas escolhas.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Velhos hábitos.

Roeu as unhas até o sabugo, arrancou os cabelos, chorou até secar, bebeu até se embriagar. E não era depressão, era a vida. Ninguém entendia, todos julgavam. Deu mais uma tragada no cigarro, a maquiagem já borrada, o coração já partido. Se apaixonava sem pensar, bebia para esquecer. Quando pensava demais estava louca, quando agia por impulso era leviana. Não entendia como o mundo era complicado e traiçoeiro, confiava em quem deveria desconfiar, queria morrer quando a solução era viver. Ela não era nada, e não perdia os velhos hábitos, todos de mal gosto. Eram só velhos hábitos que ela não queria perder. Bebeu mais um gole, tragou mais um pouco, chorou de mais. Velhos hábitos nunca mudam. E ela também não mudava.

Last night's of golden rest.

Últimas noites de dourado descanso. Noites em claro, dias dormindo, abraços dados, beijos roubados, copos virados. Sem arrependimentos, medos, ou algo do tipo. Parei de pensar e passei a viver. Últimas noites desse dourado descanso. Só me arrependo do que não fiz, mas fiz tudo o que pude. Não era um dia de verão, não haviam as flores da primavera ou as folhas do outono, só os ventos do inverno. Ventos esses que por ora apenas me aquecem, e as noites eram mais quentes que os dias, os copos destilados matavam mais a sede que a pura água, e o gelo foi quebrado. Dias em que viver parecia fácil, e sorrisos eram dados a todo momento. Agora só me resta aproveitar os últimos, por que logo logo as preocupações estarão de volta e o mundo começará a girar com a todo o vapor. Últimas noites de dourado descanso, dourado prazer.

Dúvidas sem respostas, conversas perdidas, um copo vazio

- Só pra você não dizer que eu fui ou sou rude, só pra você não dizer que eu esqueci tudo. Eu me importei enquanto podia, mas segui em frente, como você fez. Só por que não fico remoendo o passado não quer dizer que não me importo, e você devia saber, afinal foi você quem escolheu isso.

Tomou mais um gole da cachaça de má qualidade que o bar tinha a oferecer.

- Eu não pedi isso, eu só queria te ver.
- Mentira, você só queria me dizer o quanto eu sou horrível por estar sozinha, mas a culpa é sua e nada mais.

Virou o copo, o copo das mágoas.

- Eu vou embora, você não está bem.
- Não, não estou, mas estou melhor assim do que com você, querido. Acredite ou não eu ainda guardo todas elas.
- Todas o quê?
- Todas as mágoas que você me deu de presente.

Ele se levantou e foi o embora. O copo esvaziou, e ficou ali, vazio. Ela pagou a conta e pegou um táxi. Ela não se arrependeu mais tarde. Ele sim. Quem era quem, quem era o quê? O copo sabia, mas o copo estava vazio, e ninguém podia encher. Dúvidas sem respostas, copos vazios, conversas perdidas.

É assim o meu viver.

"Me dilacero por dentro procurando uma resposta, para um pergunta que nem ao menos sei qual é. Vejo tudo desabar a minha volta, e não faço nada. Apenas desabo também. Quero acreditar que tudo tem solução, quero acreditar que não estou sozinha, mas parece que estou me enganando. Lembro agora, que "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira" e meu peito dói. Por quê? Por quê faço isso? Sei bem que quando faço a dor vem com toda sua força, mas continuo fazendo. Me enganar parece tão mais fácil do que admitir meus erros, além do mais, vem se tornando um vício. A dor, mesmo doendo (obviamente), me entorpece por alguns minutos e eu esqueço tudo. Esqueço de viver. E viver é a parte mais difícil de todas. Por que dói mais, e não é uma dor entorpecente, é uma dor viva, e sou incapazes de lutar contra ela. Para viver corremos riscos, e eu não quero riscos. Cansei de riscos. Cansei de tudo. Nada mais me satisfaz, e a pergunta, que eu não sei qual é, continua sem resposta." 


Escrito a alguns meses também, mas é uma boa pedida pra hoje.

By The Way.

A propósito, como posso esquecer o inesquecível, como posso morrer ainda vivendo, como posso mentir se é tudo verdade? Esperando algo de que não preciso, odiando algo que devia amar, escrevendo o que deveria apagar, a propósito, eu tento ser melhor. Me fixando em coisas que não existem, tentando fazer com que elas existam. A propósito, eu tentei te dizer que era assim, e você nunca acreditou. Nunca acreditou em meus piores instintos, mas eles estavam lá. Tentei te afastar e você continuou, e eu posso ter feito você sofrer. A propósito, se te fiz mal, não foi por querer, aliás, nada é por querer, e tudo por necessidade, mesmo que elas sejam as piores. Eu disse que não era das melhores, mas penso que menti ao lhe contar a verdade. A propósito, não sei se tudo que disse foi verdade, mas tentei não mentir, e nem medir, tentei não mudar e nem ao menos tentei julgar. Mas acontece. E foi nosso fim. A propósito, não chorei por você, nem por mim, nem por nós. Chorei pelo mundo. E foi pouco. Por tudo que foi bom se sobrepôs ao fim. A propósito, não me arrependo de nada. Ou será que me arrependo de tudo? A propósito, já não sei.


By The Way - Red Hot Chili Peppers Por que foi o que me inspirou, quando escrevi esse texto, meses atrás.

Dezesseis

      Aos dezesseis já tinha inúmeras manias, imagine aos trinta? Trocava um amor por um copo de álcool, os beijos eram amargos e a vontade de viver se perdia casa vez mais. Lhe faltava coragem e sobrava rancor, sofria sem saber o por quê, chorava quando podia, não quando queria. Sentia-se nula, sem futuro, e o que mais temia era estar certa. No começo tinha tantos planos, e agora eram nada mais que sonhos, e o tempo, quanto mais ela queria que passasse, mais demorava a passar. Os dias pareciam anos e as horas pareciam meses, e o seu único prazer era saber que um dia tudo aquilo ia acabar, e ela não ia mais existir. Comia compulsivamente e dormia esperando que o amanhã nunca chegasse. Não tinha auto-estima e só sabia exaltar os próprios defeitos, se esquecendo que também tinha qualidades. A cada erro esquecia tudo o que tinha feito certo, a cada choro esquecia todos os sorrisos, a cada decepção esquecia os sonhos. Aos dezesseis já não sorria como antes, mas queria mudar, recomeçar. Queria encontrar tudo o que tinha perdido no caminho, queria encontrar um caminho. Para isso tinha que perder o medo, esse que lhe corroía a alma e endurecia o coração. Era um medo crônico, doloroso, e ela não sabia se podia se curar, e então, a cada erro que cometia, esse medo só fazia crescer. Mas ela só tinha dezesseis e ninguém poderia lhe culpar pela insegurança ou lhe julgar pelos atos falhos. Tanta coisa pela frente, que uma hora ela ia entender, parar de pensar e simplesmente fazer, e essa hora era o que ela mais esperava. Enquanto essa hora não chegava, ela vivia assim, sem sentido, em um sofrer inesperado, manias complicadas, coração vazio. E ela só tinha dezesseis, e ninguém poderia lhe culpar por isso.

Dezesseis - Legião Urbana