Minha vontade é deitar no teu peito,
contigo sou gatinho manhoso.
Vontade de entrelaçar nossos pés,
tirar tua meia pra você sentir meu calor.
E são gestos disfarçados,
que disfarçam sorrindo,
disfarçam brincando,
a selvageria do meu querer.
Vem pra perto,
vem pra mim.
Vem sem fim.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
sábado, 12 de outubro de 2013
Imaginação
Imagino noites e dias contigo.
Imagino nossas pequenas jóias,
imagino nós num dia de domingo.
E nos teus olhos imagino o sol,
e teus lábios imagino a me devorar.
E então me vem à tona, que contigo, já não preciso só imaginar.
sábado, 13 de julho de 2013
É que ás vezes eu nem sei
É que ás vezes eu nem sei,
porque faço essas besteiras.
É que ás vezes eu nem sei,
porque quero tanto magoar.
Só sei que sempre me arrependo,
só sei que sempre choro.
Porque eu faço isso com você,
e depois comigo.
E agora perdi por querer.
Perdi o que tínhamos.
Mas eu só peço desculpas,
que são duras de aceitar,
e é tudo culpa minha.
É que ás vezes eu nem sei...
porque faço essas besteiras.
É que ás vezes eu nem sei,
porque quero tanto magoar.
Só sei que sempre me arrependo,
só sei que sempre choro.
Porque eu faço isso com você,
e depois comigo.
E agora perdi por querer.
Perdi o que tínhamos.
Mas eu só peço desculpas,
que são duras de aceitar,
e é tudo culpa minha.
É que ás vezes eu nem sei...
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Me Abandone
Deu tudo que tinha e esperou algo em troca, nunca recebeu.
Desistiu, sempre desiste. Persistir não é de sua natureza.
O sol então raia após tempos, secando o orvalho que nas flores de seu peito fazia jardim.
E então voltou, sempre volta.
E quando volta, sabe o que faz.
A torna desprezível, miserável, e em seu jardim só chove. E de novo ela dá tudo de si. Dá tudo de si e algo de alguém, só para vê-lo partir de novo, deixá-la com promessas nunca feitas, olhando os cacos do que um dia chamou de Alma, cheia de remorso e rancor.
Não deixe de abandoná-la, jamais.
domingo, 26 de maio de 2013
Palavras
Quando você disse aquelas palavras, eu esqueci o quão distante você é.
Quando você disse aquelas palavras, eu esqueci que não te conhecia de verdade.
E agora não existem mais palavras entre nós, e eu sinto falta até das meias palavras, dos subentendidos. Agora percebo que arrisquei muito, pedi pouco e não recebi nada. E o Mudo que agora você é, eu fingi que quis que tivesse ido embora de mim, como as palavras foram embora de ti, quando tudo que eu queria era te ouvir falar mais uma vez. Mas você agora é Mudo. E por você ser Mudo, eu tive que despejar palavras, sílabas de esperança, em meio ao nó que eu tinha na garganta.
Mas você não disse nenhuma palavra.
E por você não dizer nenhuma palavra, eu desisti da batalha.
Você agora materializa o que sempre foi, um nada. Algo que não pertence ao meu mundo de fantasias e quiçá ao real. Você agora tem lábios inúteis, que não dizem palavras. E eu morro um pouco quando os vejo distantes de mim, mas seguro o fôlego e peço forças.
Desisti da batalha pra não desistir de mim.
Desisti das suas palavras pra não perder a minha.
domingo, 21 de abril de 2013
Artigo sobre o Eu
A auto piedade e pensamentos recorrentes sobre como induzir coma eram duas características nem tão recentes no indivíduo estudado. Ao contrário do esperado nas pesquisas, o indivíduo não revelou pré disposição para a mutilação. Momentos de euforia se tornaram cada vez mais raros e mais curtos, começaram a ocorrer surtos psicóticos graves no período da noite, impedindo que o indivíduo descansasse. Doenças inicialmente forjadas começaram a se tornar reais, o uso dos mais variados medicamentos começou a se tornar abusivo. O indivíduo começou a ser considerado perdedor e a descontar suas frustrações em choques sexuais nos quais não conseguia obter nenhum prazer e só sentia repulsão pelas suas próprias ideias e vontades. O Q.I., antes levemente elevado, foi substituído pela falta de vontade crônica. O que o estudo mais teve dificuldades em relevar, foi o fato de que todas estas atitudes tiveram apenas um catalisador. O mais poderoso catalisador possível. Uma pequena pecinha quebrada no indivíduo acabou tornando tudo "impossível de aturar" para o objeto de estudo. Um coração partido fulminantemente deixou o indivíduo em tal estado de confusão mental, que, ao retornar ao ponto em que se encontrava anteriormente, o chão o engolia. O ser catalisador se encontra agora fora do alcance dos nossos estudos, mas fontes afirmam que a falta de maturidade e compaixão foram as características decisivas para que se tornasse um catalisador de tão alto potencial. Um potencial tão alto que destruiu a estrutura mental do objeto de estudo, e o seu período de recuperação ainda é uma incógnita.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Nossas Luas
Quantas luas perdi até te encontrar? Até sentir sua falta como se minutos fossem horas, e horas fossem a eternidade? As luas cheias me lembram os teus olhos brilhantes e enormes, que se enchem de ruguinhas quando você sorri. E o seu sorriso, ah, o seu sorriso... O seu sorriso é uma lua crescente, elipticamente perfeito, sou transferida a outra dimensão quando você sorri. Quando você se vai e o mundo se perde, eu sou uma lua minguante, uma lua perdida, mas ainda assim, sou lua, e tua. Então você volta e tudo é lua nova, por que nós somos lua um para o outro, e nós somos lua o tempo todo. Sem eclipses, só crateras e luzes. Nossos sonhos e transes mútuas. Um satélite natural e transcendental, algo que eu nunca imaginei anda acontecendo á nossa volta.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Nó
Deram um nó na minha vida,
era um nó de marinheiro,
não sei desfazer.
Agora vivo em um nó,
e me puxam por duas pontas.
É um nó sem laço,
um nó dolorido.
O nó chegou na garganta,
desaprendi a falar.
E agora os nós me doem,
os nós dos dedos.
Vivo amarrada para sempre.
Vivo em um nó.
era um nó de marinheiro,
não sei desfazer.
Agora vivo em um nó,
e me puxam por duas pontas.
É um nó sem laço,
um nó dolorido.
O nó chegou na garganta,
desaprendi a falar.
E agora os nós me doem,
os nós dos dedos.
Vivo amarrada para sempre.
Vivo em um nó.
terça-feira, 5 de março de 2013
Gata e Camaleão
Acordei três vezes durante a noite, três pesadelos. Comecei a sentir um calor que desesperava, sufocava, tirei a blusa, e a abracei, talvez por reflexo, por medo de perdê-la no meio do edredom, e então a abracei. E então era você. Era seu cheiro. Era o que eu lembrava de ser, e eu só lembrava de querer ser você. Ser você não, ser sua. Entrei na terra dos sonhos e lá te encontrei, fiquei mais calma. Talvez fosse o seu cheiro, a sua lembrança, mas vida que eu tive até então virou lembrança, fragmento de mim. Talvez fosse o clima, o soco que eu sentia no estômago, a tortura que subia pelas minhas pernas. Não me importava com o que era.
Parei de pensar e entrei no teu jogo, agora também sou camaleão.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Prosa ao Mestre
Eu quero ser você um pouco, te fundir em mim
por completo, só um segundo de todos os que existem no mundo. Quem sabe assim
eu possa te ensinar o que aprendi desde que você se foi daqui, te dizer que sou
fruto dos teus pensamentos ditos em voz alta enquanto me contava das Noites
Brancas, e então você me ensina tudo mais uma vez, e depois outra, e então de
novo. Desde que você se foi, nunca mais alguém me ensinou me ensinou igual
sobre briófitas, pteridófitas, e eu tive que aprender sozinha qual passo dar
depois, e como dar esse passo. Me diga, mestre, se eu fui algum dia um bom
discípulo, porque me deixaste aqui, aprendendo a nadar com os tubarões na
imensidão do mar? Talvez soubesse que eu sou capaz, e confesso que venho sendo
cada dia mais, encontrando forças onde antes só haviam franquezas, encontrando
fé onde antes só havia ceticismo, e ainda assim, eu já abro os olhos esperando
a pancada e nunca o seu rosto.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
A Cruz e a Espada
Entre a cruz e a espada,
o que é incógnito é apenas sonho,
mortalmente curioso.
Entre a cruz e a espada,
jaz o que chamo de alma,
jaz o que chamo de medo,
jaz o que chamaram de desejo.
Eu sou minha própria espada,
meu desejo é minha única cruz.
O que eu sou por inteiro
se despedaça a cada segundo,
e eu só consigo me crucificar
por medo da espada.
Eu estou entre a cruz e a espada.
o que é incógnito é apenas sonho,
mortalmente curioso.
Entre a cruz e a espada,
jaz o que chamo de alma,
jaz o que chamo de medo,
jaz o que chamaram de desejo.
Eu sou minha própria espada,
meu desejo é minha única cruz.
O que eu sou por inteiro
se despedaça a cada segundo,
e eu só consigo me crucificar
por medo da espada.
Eu estou entre a cruz e a espada.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
A borda
Um deus me deu borda,
e sem ela eu transbordo.
Sem ela eu me desperdiço,
me esparramo no chão,
como quem quer tudo
e não faz nada..
Sem a borda,
eu realmente não sou nada.
Não sou cinto,
não sou corda,
não sou cadarço.
Sem a borda,
eu não sou nada.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Da Vida e Outros Demônios
Se eu soubesse antes dos
demônios que pairam entre nós, eu o teria colocado no colo e colhido teus
cachos e fingiríamos que estava tudo bem. Espero que não seja tarde demais para
exorcizá-los, meu bem, espero que não seja tarde demais para derramarmos
aquelas lágrimas contidas, espero que não seja tarde demais para chorar a
morte.
A morte. Então ela se
abate com força sobre nós e os demônios do passado, o frio aparece e nos
congela, revelando espectros azulados sobre a madeira escura do chão da sua
sala. Os demônios vão voltar e a morte chegou, nós vamos continuar aqui por
quanto tempo mais, meu bem? Fique em silêncio mais um pouco.
Nosso reflexo desaparece e
você sabe o que é. É hora de partir e se arrepender, os demônios não vão embora
mas a vida se foi, junto com o brilho dos teus olhos e a cor dos seus cachos.
Nossos corações já não batem e você vai desaparecendo do meu colo. Meu bem,
agora eu sei, é tarde demais para chorar as dores e exorcizar as tristezas.
Enquanto o trato secreto
nos separa ainda mais, ficamos cada vez mais mortos um para o outro, e depois
desmortos para o resto do mundo. Eu finalmente consigo concluir o que pensei
quando você sorriu e confessou a sua tormenta particular: a vida era um dos
nossos demônios e a exorcizamos sem medir as consequências, meu bem. Não
adianta segurar firme a minha mão, mas segura o que era teu junto comigo, vamos
nos encontrar mais tarde, quem sabe.
Você se foi antes do sol
nascer, e eu, de certa forma também. Os demônios ficaram e a morte continua
aqui. Não sinto mais medo dos espectros, espero encontrar você sobre a madeira
escura também, mas o dia em que fomos alguém parece tão distante que chega a
ser outra vida. Me dei conta de que realmente foi em outra vida, meu bem, e
nada mais nos pertence além de nós mesmos, ou pelo menos o que restou de nós.
Talvez seja melhor dizer
adeus e sofrer a perda do que imaginar encontros impossíveis. Talvez seja
melhor aceitar logo os fatos. É melhor aceitar logo os fatos. A morte era um
sopro e nós um dia fomos a vela acessa, ou quem sabe, meu bem, a vida é que era
um sopro e a nossa vez já passou. Chora miúdo como eu, mas vamos parar de nos
matar ainda mais com esperanças, de uma vez por todas.
Esta é a Vida e todos os seus demônios.
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