segunda-feira, 12 de março de 2012

Tarde Vazia

    Sinto o cheiro da grama e piso no primeiro degrau da escadaria com os olhos fechados, a brisa vai levantando o  meu cabelo lentamente. Piso no segundo degrau, a adrenalina começa a pulsar com força. Começo a correr escada a cima, os degraus vão se perdendo abaixo de mim, escuto a pedra maciça batucar embaixo do meu par de sapatos. Vou subindo os degraus como se fossem o meu destino, e eram. Subo. Subo. Subo. Começam a aparecer palavras. "Quando foi". Continuo subindo sem olhar pra trás. "Que desaprendemos". Subo sem medo, as pernas já duras e pesadas, o ar falhando. Meus pulmões doem como se eu estivesse carregando o peso do mundo em minhas costas. "A respirar?" É o último degrau daquela jornada de fé, deito na grama recém cortada e olho as nuvens com seus formatos infantis. Estou arfando sem parar, querendo todo o oxigênio possível dentro de mim. Paro e penso. "Quando foi que desaprendemos a respirar?"

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