segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Música Urbana.
Tinha bebido além da conta e o mundo começou a girar. O estômago estava revirado e um dos pés tinha um corte, que ela não sabia de onde vinha. As palavras saiam interminavelmente da boca, e a cada vez que o cérebro pedia para parar, mais rápido ela falava. A mente transbordava idéias, os gestos eram lentos e imprecisos, ela não sabia mais como ia sair daquilo, sair dali. Caiu no chão, desabou, não entendia nada do que estava acontecendo, só sabia que tinha que andar, sair dali, se aconchegar. Não andou, não saiu, não se aconchegou. Entrou no ônibus e sentou, a cabeça ainda rodando. O ônibus fedia e da janela podia ver as ruas pútridas, cheias de mendigos e drogados, todos dividindo o mesmo asfalto em busca de uma cama que nunca existiu, jogados no chão, ao léu. Desceu do ônibus e subiu o morro cambaleando. Chegou em casa e se jogou na água, esperando que tudo parasse de rodar. O gosto do álcool estava na boca, escovou os dentes. Saiu do banho e comeu, deitou, encontrou aconchego, dormiu. Dormiu como se não houvesse amanhã, como se o mundo fosse parar. E tinha parado, quando o álcool ainda a afetava e chão parecia cada vez mais perto. O pé cortado e as memórias eram as lembranças. O pé doía, as memórias estavam embaralhadas. Tinha alguns arrependimentos, mas até quando? Ainda era cedo e ela tinha que ir viver.
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