Por causa dos pesadelos que você me causa eu aprendi a chorar em silêncio, sozinha, na escuridão devastadora do meu quarto.
Você nem ao menos deve se lembrar das palavras que deixou gravadas no meu ouvido durante aquele pôr do sol alguns anos atrás, mas eu lembro, e eu vivo de memórias.
Nem passa pela sua cabeça que você está cravado em mim, como um corte mal cicatrizado, porque pra mim tudo isso é incabado. Por medo, vergonha e indecisão.
E por isso eu sofro na quietude das madrugadas, "esperando um sim, ou nunca mais".
domingo, 20 de setembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
Clean
No
meio da multidão eu só conseguia ver você, como uma única palmeira em uma ilha
solitária e deserta no meio do oceano, e você realmente era o que eu pensava
ser a única saída para o meu naufrágio inevitável. De longe, eu conseguia ver
como encara a rua, olhos vazios e pensativos, as mãos sempre inquietas, mas
você não estava nervoso ou ansioso, eu sabia, eu conhecia seus movimentos, seus
vícios, seus pensamentos, eu conseguia compreender o que os outros não viam. Soube
ali que você não me esperava de forma alguma, muito menos naquela situação em
que eu me encontrava, mesmo assim segui na sua direção com passos firmes e decididos,
contrariando a minha mente que se enchia mais e mais de duvidas na sua
presença. Hoje eu digo que sua presença é tóxica, que cada dia sem você é um
dia mais em que me reabilito, mas naquele momento eu achava que tudo o que eu precisava
era poder olhar mais uma vez dentro dos seus olhos, e de certo forma eu estava
certa. Me aproximei quase como um relâmpago, um cumprimento rápido e um sorriso,
fingindo que nós não tínhamos passado tanto tempo sem nos ver, mais exatamente
dez meses e 8 dias, porque sim, eu contava e ainda conto quanto tempo fico
longe de você. Conversamos por algum tempo, rimos juntos, dividimos
sonhos e frustrações, como se a distância entre nós nunca tivesse existido,
como se o tempo não tivesse passado, de repente estávamos tão conectados que
falávamos as mesmas palavras, e então nós ríamos de novo. Ali eu cometia o grande
erro de esquecer as feridas ainda abertas que você deixou em mim, esqueci que
elas ainda não haviam cicatrizado e que eu era um alvo fácil e frágil. Quase inconsciente
das minhas atitudes, estiquei o braço e acariciei seu cabelo, passei a mão pelo
seu ombro e dei um passo a frente, mas você parecia ter se distanciado de
repente. Com a visão turva, embriagada, repeti o movimento, com a cabeça baixa,
encarando seus pés. Dei um passo á frente, você deu dois para trás. Então era
isso, acabou. Desde aquele momento parei de me arriscar pela estrada tortuosa
que você é, e quero continuar sóbria a cada diz que passar. Mas mesmo sóbria,
eu devo admitir, só por que estou limpa, não quer dizer que eu não sinta a sua
falta, não quer dizer que eu não pense em você. Mas só por hoje sou eu quem dá
um passo atrás.
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