Quando eu choro até dormir, Camaleão, parece que você nunca vai passar. Saí de mim um pouco e vai ocupar outro coração, vai.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Camaleoa
Quando o céu fica vermelho nessas madrugadas insones, as lembranças da gente se devorando aos poucos me aquecem por dentro e no fim invadem meus sonhos como as luzes da rua invadem minhas janelas nas noites boêmias. E tudo são espectros do que foi, Camaleão, e você sabe disso como ninguém. Eu também só queria saber se essas lembranças te aquecem á noite e te acalmam nas tempestades do verão, fazem cocegazinhas no teu peito quando você dorme sozinho ou te dão um nó na garganta quando você vê aquela foto em cima do criado mudo. Saiba também, Camaleão, que eu cumpri a minha promessa e não te procurei em outros olhares, outros beijos e outros amores, te guardei no meu baú para ninguém desconfiar que ás vezes dói demais.
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