quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Lembranças de Passarinho

Vem pássaro meu,
abre as asas,
canta alto.

Pássaro meu,
me lembro de tudo,
de quando não tinhas penas
e nem pena de mim.

Me lembro bem,
pássaro meu,
quando não sabíamos amar
e não guardávamos rancor.

E agora, passarinho,
e agora que choramos
e as doses são pequenas,
e agora, que fazemos?

Abre as asas, pássaro meu.
Vai voar alto, passarinho.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Camaleoa

Quando o céu fica vermelho nessas madrugadas insones, as lembranças da gente se devorando aos poucos me aquecem por dentro e no fim invadem meus sonhos como as luzes da rua invadem minhas janelas nas noites boêmias. E tudo são espectros do que foi, Camaleão, e você sabe disso como ninguém. Eu também só queria saber se essas lembranças te aquecem á noite e te acalmam nas tempestades do verão, fazem cocegazinhas no teu peito quando você dorme sozinho ou te dão um nó na garganta quando você vê aquela foto em cima do criado mudo. Saiba também, Camaleão, que eu cumpri a minha promessa e não te procurei em outros olhares, outros beijos e outros amores, te guardei no meu baú para ninguém desconfiar que ás vezes dói demais.

Quando eu choro até dormir, Camaleão, parece que você nunca vai passar. Saí de mim um pouco e vai ocupar outro coração, vai.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pássaro Meu

Te beijo, te olho,
te irrito, te quero
no meu colo.

Te provoco
só por provocar.
Te amo,
só pra você me amar.
Me amar, mas é pouquinho

Sou tua o tempo todo,
e o tempo voa.
Abre as asas e vai voar,
passarinho na gaiola.