Ela se sentou e
apoiou a folha de papel na escrivaninha de madeira que tinha herdado da mãe,
abriu a gaveta e procurou uma caneta. Quando encontrou, começou a escrever
calmamente:
"Eu contava as
horas, os abraços, os sorrisos e agora só conto as lágrimas. Quando foi que nos
perdemos um do outro? Por que é que foi assim tão fácil? Você era um poeta de
palavras raras, palavras doces, e eu, ingênuamente, construí um sonho em cima
das suas promessas. Você escrevia sobre amor, você escrevia sobre os seus
sonhos, os seus medos, as suas alegrias e tristezas, e de repente tudo mudou.
Eu escrevia páginas e mais páginas de sentimentos, colocava o meu coração e
minha alma no papel, esperando que você respondesse da mesma forma amável que
sempre respondeu, mas tudo o que eu recebia eram fragmentos do que você tinha
sido: palavras duras, frias, e poucas, pouquíssimas, tudo isso em um papel roto
e sujo, com as letras borradas e garranchadas. O que é que aconteceu? Não me
responda, não quero me decepcionar ainda mais, eu prefiro guardar os sonhos que
criei, conservar as belas memórias que ainda tenho guardadas. Escrever esta
carta me dói mais do que tudo, mais do que possa imaginar, por que despedidas
doem, e esse é um adeus definitivo, o que o faz ser ainda mais triste e
doloroso para mim. Não quero que pense que sou covarde e egoísta, que desisti
de você sem pensar duas vezes, mas lhe digo que não pensei menos que 2 mil
vezes antes de pegar a caneta e lhe escrever essa carta, além do mais, eu dei
todas as chances do mundo, dei meses, eu pedi sem medir palavras que me
respondesse com sinceridade, com vontade, com amor, e você nunca fez nada
disso. Então repito, por que estas são as últimas palavras minhas que lerá, e
eu não quero nem ao menos me demorar, por que a demora pronlonga a dor e eu sei
que não merece esse castigo, adeus, eu te amei como pude, e continuo amando,
mas não posso continuar tentando quando você já desistiu. Adeus. Adeus. Adeus.
Me perdoe por isto, mesmo eu não lhe devendo nenhuma desculpa. Adeus, tudo isto
por que eu te amo e prefiro te guardar em mim enquanto você ainda não se partiu."
Deu um beijo na folha
de papel molhada de lágrimas e envelopou a carta, escreveu o endereço
graciosamente antes de guardar o envelope na gaveta. Naquela gaveta estavam
suas esperanças, seus desejos, suas lembranças, coisas que logo logo ela
mandaria ao correio para nunca mais esperar, desejar e lembrar. Algumas
despedidas são realmente para sempre.
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