quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A deus, aos deuses, Adeus.


Ela se sentou e apoiou a folha de papel na escrivaninha de madeira que tinha herdado da mãe, abriu a gaveta e procurou uma caneta. Quando encontrou, começou a escrever calmamente:

"Eu contava as horas, os abraços, os sorrisos e agora só conto as lágrimas. Quando foi que nos perdemos um do outro? Por que é que foi assim tão fácil? Você era um poeta de palavras raras, palavras doces, e eu, ingênuamente, construí um sonho em cima das suas promessas. Você escrevia sobre amor, você escrevia sobre os seus sonhos, os seus medos, as suas alegrias e tristezas, e de repente tudo mudou. Eu escrevia páginas e mais páginas de sentimentos, colocava o meu coração e minha alma no papel, esperando que você respondesse da mesma forma amável que sempre respondeu, mas tudo o que eu recebia eram fragmentos do que você tinha sido: palavras duras, frias, e poucas, pouquíssimas, tudo isso em um papel roto e sujo, com as letras borradas e garranchadas. O que é que aconteceu? Não me responda, não quero me decepcionar ainda mais, eu prefiro guardar os sonhos que criei, conservar as belas memórias que ainda tenho guardadas. Escrever esta carta me dói mais do que tudo, mais do que possa imaginar, por que despedidas doem, e esse é um adeus definitivo, o que o faz ser ainda mais triste e doloroso para mim. Não quero que pense que sou covarde e egoísta, que desisti de você sem pensar duas vezes, mas lhe digo que não pensei menos que 2 mil vezes antes de pegar a caneta e lhe escrever essa carta, além do mais, eu dei todas as chances do mundo, dei meses, eu pedi sem medir palavras que me respondesse com sinceridade, com vontade, com amor, e você nunca fez nada disso. Então repito, por que estas são as últimas palavras minhas que lerá, e eu não quero nem ao menos me demorar, por que a demora pronlonga a dor e eu sei que não merece esse castigo, adeus, eu te amei como pude, e continuo amando, mas não posso continuar tentando quando você já desistiu. Adeus. Adeus. Adeus. Me perdoe por isto, mesmo eu não lhe devendo nenhuma desculpa. Adeus, tudo isto por que eu te amo e prefiro te guardar em mim enquanto você ainda não se partiu."

Deu um beijo na folha de papel molhada de lágrimas e envelopou a carta, escreveu o endereço graciosamente antes de guardar o envelope na gaveta. Naquela gaveta estavam suas esperanças, seus desejos, suas lembranças, coisas que logo logo ela mandaria ao correio para nunca mais esperar, desejar e lembrar. Algumas despedidas são realmente para sempre.

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