Eu quero ser você um pouco, te fundir em mim
por completo, só um segundo de todos os que existem no mundo. Quem sabe assim
eu possa te ensinar o que aprendi desde que você se foi daqui, te dizer que sou
fruto dos teus pensamentos ditos em voz alta enquanto me contava das Noites
Brancas, e então você me ensina tudo mais uma vez, e depois outra, e então de
novo. Desde que você se foi, nunca mais alguém me ensinou me ensinou igual
sobre briófitas, pteridófitas, e eu tive que aprender sozinha qual passo dar
depois, e como dar esse passo. Me diga, mestre, se eu fui algum dia um bom
discípulo, porque me deixaste aqui, aprendendo a nadar com os tubarões na
imensidão do mar? Talvez soubesse que eu sou capaz, e confesso que venho sendo
cada dia mais, encontrando forças onde antes só haviam franquezas, encontrando
fé onde antes só havia ceticismo, e ainda assim, eu já abro os olhos esperando
a pancada e nunca o seu rosto.