Me lembro de quando esquecia
Quando lembrar não fazia diferença
As flores contavam histórias
E nós riamos ao acaso
Esquecia de me preocupar
Me preocupava em sorrir
A primavera era como o outono
E os sorrisos brotavam
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Old Soul
"Uma vontade de algo que não sei o que é, não sei aonde está, nem sei se algum dia vou encontrar. Um vazio imensurável que não posso explicar. Não, não sei relatar o que se passa, só sei que estou me cansando, e a cada dia fico ainda mais cansado. Poderia simplesmente reclamar da futilidade do mundo, da falta de graciosidade, das flagelas universais, das dores e dúvidas, mas ando cansado. Acho que envelheci ao invés de amadurecer. Quando se amadurece, são formadas opiniões coesas, informativas e de certa forma abertas, e eu não consegui isso. Antes me apetecia sorrir, ser feliz, hoje já nem tanto. O novo não me comove e ás vezes nem sequer me surpreende, enquanto o antigo muito mais me fascina e prende. Então digo que envelheci ao invés de amadurecer, por que ao invés de encontrar respostas e até mesmo me satisfazer ao achá-las, apenas parei e encontrei novas dúvidas, com as quais não posso, não quero e até mesmo não devo lidar. Além do mais, é como se eu tivesse nascido e me criado muito tempo atrás, como se eu tivesse vivido em tempo que não é o meu, e não posso evitar esses sentimentos, pois sinto, bem no meu íntimo, que a parte mais profunda do meu ser é de fato muito velha. Não acredito em reencarnação, mas esse talvez seja o caso da minha alma, que parece já se encontrar em estado caquético, idosa, e eu não posso fazer nada contra. Talvez eu rejuvenesça com o tempo ou talvez fique apenas mais velho, talvez amadurecer não seja o que a vida tem guardado para mim."
domingo, 4 de setembro de 2011
That eyes.
"Eu, de repente, olhei no fundo dos seus olhos, sem qualquer desejo, sem almejar nada. Acabei conhecendo tudo o que ele tentava esconder, descobri os seus segredos mais obscuros, enxerguei o profundo da sua alma. A dor estava ali, a decepção, a mágoa. Pude ver o seu coração através da janela que me foi aberta. Estava partido, despedaçado, e eu, não sei porquê, senti empatia, senti um desejo de consertar tudo aquilo, uma atração inevitável pela dor que estava ali, na minha frente. Talvez por que me reconheci nele e naquele sofrimento, naqueles sentimentos guardados, naquela dor. E talvez por isso eu quisesse reparar, para que ele não ficasse como eu. Não, eu não sabia porquê eu estava olhando aquilo. Podia ser o efeito da vodka barata que eu tinha bebido, ou apenas uma tramoia do destino. E aqueles olhos, de um castanho tão escuro, tão profundo, estavam guardando não só segredos, também guardavam uma alma. Eu dei chance a tudo que estava acontecendo, e quando abaixei meus olhos, percebi o quanto estávamos próximos, eu quase senti sua respiração. Seus lábios me convidavam a entrar naquela imensidão, perder o medo. Os lábios entreabertos, mostrando os dentes, quase o esboço de um sorriso, o deixando extremamente encantador. Ele também não estava bem, nós não estávamos bem. E não só pela bebida, mas por vários motivos, pela carência, a depressão, a tristeza. Pra mim tudo aquilo era um afrodisíaco, junto com as estrelas, o barulho das conversas afastadas. Então não resisti, não lutei, apenas me entreguei ao momento que estava vivendo. Nossos lábios se encontraram, e eu tinha uma sede quem mal podia conter, eu não entendia o porquê. O beijei vorazmente, o abracei, o tomei como meu por alguns minutos. Mas ele não era, não é, e provavelmente nunca será. Agradeço por isso, por que não estou preparada para novas decepções, e ele... Bom, ele tenta viver, seguir em frente, e eu não sou a melhor pessoa para ajudá-lo com isso, por que não sei nem me ajudar. O máximo que posso conseguir, ainda mais depois de ler seus olhos profundos, é isso: alguns minutos fazendo com que ele fosse meu. Isso, no entanto, é pouco. Eu preciso de muito, pra tapar as mágoas, as dores, as decepções. E o muito dele se partiu, por enquanto. Não cabe a mim consertar, nem ao menos tentar. Sei também que não vou resistir ao seu sorriso, ao seu charme, á sua dor, mas não posso tentar mais do que isso. Não quero tentar mais do que isso, até por quê, eu não conseguiria. Na verdade, eu nunca consigo."
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